O Governo da China confirmou hoje que testou no passado dia 11 um míssil capaz de destruir satélites. Apesar dessa iniciativa, que gerou um coro de protestos internacionais, Pequim garante que não quer participar numa eventual corrida ao armamento no espaço.
No primeiro comentário público sobre o ensaio, Liu Jianchao, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, argumentou que Pequim demonstrou "uma atitude responsável" ao prestar esclarecimentos aos outros países, "incluindo os EUA e o Japão".
Apesar do teste – o primeiro realizado por Pequim e o único género levado a cabo nos últimos anos –, a diplomacia chinesa "quer sublinhar que sempre defendeu o uso pacífico do espaço". "A China opõe-se à militarização do espaço e opõe-se a qualquer corrida ao armamento", insistiu o porta-voz.
Questionado sobre o tempo que o país demorou a confirmar a realização do ensaio, Jianchao argumentou que "a China não tem nada a esconder" e lembrou que o disparo do míssil "não visou nenhum país, nem representa uma ameaça para qualquer país".
O ensaio foi detectado pelos serviços de vigilância norte-americanos, mas só na quinta-feira passada Washington denunciou a iniciativa chinesa, divulgada em primeira mão pela "Aviation Week".
Segundo esta revista de especialidade, os peritos chineses usaram um míssil balístico de médio alcance, especialmente concebido para esta missão, para destruir um velho satélite meteorológico chinês. A colisão, adianta a revista, terá ocorrido a mais de 800 quilómetros da superfície terrestre – uma altitude semelhante àquela em que se encontram os satélites-espiões norte-americanos.
A realização do ensaio gerou um coro de críticas a nível internacional, com vários países a alertarem para o risco de a iniciativa chinesa — aliada ao programa de defesa lançado em 2006 pelos EUA — poder conduzir a uma nova corrida ao armamento, desta vez com fins espaciais.
Até agora, apenas os EUA e a Rússia tinham mostrado capacidade para destruir objectos em órbita, fruto de anos de experiências desenvolvidas durante a Guerra Fria. A entrada da China neste grupo da frente – quatro anos após ter sido admitida no restrito clube de países que colocaram astronautas no espaço – poderá relançar o debate sobre a militarização do espaço.
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