José Sócrates foi ontem ao Baixo Alentejo dar um "empurrão" a alguns dos projectos que se mantêm como a esperança adiada da região. Acompanhado de oito ministros, no âmbito da iniciativa "Governo Presente", Sócrates assegurou que Alqueva, o IP 8 e o aeroporto de Beja vão ter o "total apoio" do Executivo ao longo dos próximos três anos. O ministro Mário Lino assegurou que em 2008 haverá condições para o aeroporto receber o primeiro voo.
O momento alto teve lugar com o cair da noite, altura em que foi lançada a primeira pedra do futuro aeroporto de Beja, que visa o aproveitamento civil da Base Aérea. É uma obra reivindicada há uma década, mas que ganhou especial consistência nos últimos sete anos, apesar dos sucessivos impasses e de vários imbróglios jurídicos, que levaram a que a empresa gestora desta infra-estrutura aeronáutica tivesses chegado a ter dois presidentes.
"O futuro começa hoje", anunciava o voz off, enquanto José Sócrates garantia que os 33 milhões de euros que vão ser gastos nas obras são "um baixo investimento para um grande benefício".
O primeiro-ministro considerou que esta aposta do Governo "representa confiança no Alentejo", enquanto alertava para a importância do futuro aeroporto não perder de vistas os investimentos que se perspectivam para a região, em torno de Alqueva, em matéria de turismo, e Sines, no ramo industrial. "Queremos dar ao Alentejo nova energia. Esta região promete e precisa de investimentos na área agrícola".
Antes, a população de Mértola tinha saído à rua para receber o primeiro-ministro, com aplausos e beijinhos, sendo que nem o frio nem o atraso da comitiva demoveram uma centena de pessoas de conviverem 15 minutos com o chefe do Governo. "Bom dia", disse à saída do carro. "É mais boa-noite", ouviu-se entre a multidão, enquanto um idoso, bem acima dos 70, furava, munido de máquina fotográfica, para imortalizar o momento. Mas Sócrates ficou no passeio à conversa com um grupo de jovens cabo-verdianos que estudam em Mértola. "Já estive muitas vezes em Cabo Verde". "E gostaste?", perguntou um dos jovens. "Gosto muito do Sal e da Boavista. Muita gente reconheceu-me lá", respondeu Sócrates.
Para trás tinha ficava a inauguração de uma fábrica agro-alimentar, em Garvão, concelho de Ourique, que vai produzir e comercializar carne de porto alentejana. Chama-se "Montaraz" e trata-se de uma unidade que recebeu um investimento de 1,7 milhões de euros e vai criar 25 postos de trabalho directos, 15 dos quais de residentes no concelho de Ourique.
"Um bom exemplo para o futuro do sector", considerou Sócrates, afirmando que o maior problema do sector agrícola foi o facto de Portugal exportar matéria-prima, enquanto "outros países transformavam-na e comercializavam os produtos". O primeiro-ministro quer ver o país a produzir, a transformar e a comercializar os produtos.
É neste linha que o Governo quer "dar pressa" ao efeito barragem de Alqueva, para ajudar a acabar com parte do "queixume" que se vive em Portugal - leia-se agricultura - numa altura em que existem significativos investimentos privados "à espera para avançar", sublinhou, apontando o caso do olival. No Alqueva, o governo começou a jornada com a visita às obras da Barragem do Pisão, em Beja, que integra a rede secundária de rega.
Henrique Troncho, administrador da Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva (EDIA) garantiu que, com as várias obras em curso ou a lançar, deverão ser criadas as condições para que, em 2009, estejam equipados 32 200 hectares de regadio, somando os 6500 já em exploração aos 25 700 a criar até lá, sendo que o sistema global de rega vai abranger, na totalidade, cerca de 110 mil hectares até 2015. Sócrates garantiu que até 2013, o Governo tem "todo o financiamento indispensável para que, em 2014 ou 2015, este projecto acabe", acrescentou, chamando ainda a atenção para o potencial energético que Portugal está a desperdiçar, perante a capacidade hidroeléctrica de Alqueva.
http://dn.sapo.pt/2007/01/28/naciona...para_2008.html