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UOL
08/08/08

Tropas russas invadem a Geórgia

Tropas russas invadem a Geórgia para tentar conter avanço sobre a região da Ossétia do Sul; líder rebelde fala em mais de mil mortos

Tropas russas invadiram nesta sexta-feira uma região com foco de conflito separatista na Geórgia, a Ossétia do Sul. Antes, tropas da Geórgia haviam bombardeado a região, considerada um enclave pró-Rússia, em uma ampliação de um conflito que já perdura desde o início dos anos 90. Um líder separatista fala em mais de 1.400 mortos após o conflito desta sexta. Segundo declaração do secretário do Conselho Nacional de Segurança georgiano, Alexandre Lomaia, à agência AFP, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakachvili, decretará o estado de exceção "nas próximas horas".

Com 3.900 km², a Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia, localizada no leste europeu, está em conflito com o governo georgiano desde o fim de 1990. A disputa começou quando a região se autoproclamou "república soviética", mas o parlamento da Geórgia, que estava se separando da URSS, decretou a dissolução da região autônoma.

Desde então, sucessivos conflitos e tentativas de acordo marcam a disputa pela região. O último teve início nessa sexta, quando as forças de paz russas e as "unidades militares georgianas" travaram "combates intensos" no sul da capital da Ossétia do Sul, Tsjinvali, segundo o comando das forças russas, citado pela agência RIA-Novosti.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin declarou que a "guerra já começou", e Mikheil Saakashvili, presidente da Geórgia, acusou a Rússia de uma "bem-planejada invasão", dizendo que ele tinha mobilizado militares da reserva da Geórgia.

A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, pediu em nota que a Rússia retire as tropas e suspenda os bombardeios aéreos, de modo a "respeitar a integridade territorial da Geórgia".

Em Pequim, o presidente George W. Bush prometeu apoio dos EUA à integridade territorial georgiana e reiterou o pedido por um cessar-fogo imediato.

"Nossas forças de paz estão participando de combates ferozes com unidades do exército georgiano nos subúrbios do sul de Tsjinvali," disse um oficial das forças russas mobilizadas na região separatista georgiana da Ossétia do Sul - um enclave apoiado por Moscou.

Em declaração na noite desta sexta-feira, o comandante Marat Kulakhmetov, citado pela agência Interfax, as forças russas de manutenção da paz vão permanecer na república separatista da Ossétia do Sul.

No total, 12 soldados das forças de paz russas morreram e 150 foram feridos por tiros georgianos hoje em Tsjinvali, segundo um porta-voz do comando das forças, citado por Interfax.

Segundo o presidente do território separatista da Geórgia, Eduard Kokoiti, a ofensiva georgiana deixou 1.400 mortos na Ossétia do Sul.

De acordo com Kokoiti, a capital da região separatista, com apenas 30 mil habitantes, ficou "praticamente em ruínas" devido aos bombardeios dos aviões e à artilharia georgiana, que lançou bombas na cidade desde a noite passada.

"Muitos edifícios estão em ruínas. Falta água, não há eletricidade nem luz e a comunicação telefônica quase não funciona", disse Kazbek Friev, comandante do batalhão osseta das Forças Mistas de Paz na Ossétia do Sul, à agência russa "RIA Novosti".

Forças militares russas controlam parte da capital da Ossétia do Sul, Tskhivali, informou o Ministério do Interior da Geórgia. A Rússia enviou tropas a fim de rechaçar o ataque georgiano à região separatista da Ossétia.

"Controlamos parte da cidade, os russos controlam outra", afirmou o porta-voz do ministério, Shota Utiashvili. No entanto, Utiashvili admite que após os bombardeios russos "com tanques e aviões", o exército georgiano já "perdeu o controle de parte" da cidade.

Segundo o porta-voz, pelo menos cinco aviões militares russos foram abatidos por caças georgianos. Um bombardeio aéreo, diz Utiashvili, matou três pessoas no aeroporto de Marneuli, cerca de 30 km ao sul de Tbilisi, capital da Geórgia.

Os russos atacaram também nesta sexta-feira a base militar georgiana de Viaziani (cerca de 15 km ao oeste de Tbilisi), e as localidades de Gori, Kareli e Variani. Não houve mortos nestas ações.

As autoridades georgianas evacuaram o edifício da presidência e outros escritórios governamentais na capital Tbilisi por temor a um bombardeio russo, anunciou o secretário do Conselho de Segurança Nacional, Alexander Lomaia.

"Recebemos informes de nosso ministério da defesa de que cinco aviões militares russos decolaram da região russa do Cáucaso (norte) em direção a Tbilisi", afirmou, por telefone.

Reforço

Foguetes disparados contra a região separatista da Ossétia do Sul
A Geórgia irá retirar 1.000 soldados do Iraque para ajudar a combater forças russas em sua região separatista da Ossétia do Sul, disse o diretor do Conselho de Segurança da Geórgia, Kakha Lomaia, na sexta-feira.

"Nós já comunicamos nossos amigos norte-americanos que iremos retirar metade de nosso contingente de soldados no Iraque nos próximos dias porque estamos sendo agredidos pela Rússia", disse Lomaia à Reuters. "Lá estão nossos melhores soldados."
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Zero Hora
11 de agosto de 2008 | N° 15691

Rússia ignora trégua e mantém ataques

Comitê Internacional da Cruz Vermelha já calcula em 40 mil o número de refugiados

No terceiro dia de guerra no Cáucaso, a Rússia ignorou ontem a proposta de cessar-fogo da Geórgia e o anúncio da retirada das tropas georgianas da região separatista da Ossétia do Sul – pivô do conflito.

Os russos mantiveram os bombardeios, atingindo inclusive os arredores da capital da Geórgia, Tbilisi, mobilizaram navios no Mar Negro – uma embarcação militar georgiana teria sido afundada – e avançaram com seus tanques e a infantaria pelo território do país vizinho. Uma porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Tbilisi disse que o número de refugiados na região já chega a 40 mil – 30 mil sul-ossetianos e 10 mil georgianos. Os mortos seriam pelo menos 1,5 mil.

– Os georgianos queimaram todas as nossas casas e dizem que esta terra é deles. Onde é a nossa terra, então? Nós não sabemos – disse uma refugiada sul-ossetiana idosa.

O conflito começou na sexta-feira, quando tropas da Geórgia invadiram a Ossétia do Sul para retomar o controle do território separatista, onde boa parte da população de 70 mil habitantes tem passaporte russo. Com a justificativa de defender seus cidadãos, a Rússia entrou no conflito. A Ossétia do Sul, que busca se unir à Ossétia do Norte, pertencente à Rússia, declarou sua independência em 1990, mas ela nunca foi reconhecida internacionalmente. Tanto Rússia quanto Geórgia são ex-repúblicas da antiga União Soviética. No fim de semana, o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, pediu pessoalmente uma trégua:

– Não estamos loucos. Não temos nenhum interesse em provocar hostilidades.

Nas primeiras horas de domingo, o governo da Geórgia anunciou que suas tropas haviam deixado o território sul-ossetiano, mas a informação foi contestada pelos russos. Segundo Moscou, os soldados inimigos não se retiraram, apenas se reagruparam.

Caças russos, que cruzam os céus da Geórgia desde sexta-feira, bombardearam ontem uma fábrica de aviões de combate Sukhoi Su-25 nos arredores de Tbilisi. Conforme o porta-voz do Ministério do Interior da Geórgia, Shota Utiashvili, o ataque provocou graves danos nas pistas de pouso do complexo, mas não houve vítimas. A capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali, foi ocupada pelas tropas russas e devastada pelos combates.
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UOL
11/08/08

Rússia vetará proposta de cessar-fogo em reunião da ONU

A Rússia vetará no Conselho de Segurança uma resolução baseada na proposta francesa para um cessar-fogo na Geórgia, informou na noite desta segunda-feira o diplomata russo na ONU, Vitaly Churkin.

"Não acredito que possamos aceitar este rascunho francês", disse Churkin à imprensa, sobre o texto proposto pela França e apoiado pelos embaixadores ocidentais.

"Esperamos participar da elaboração de um novo projeto de resolução. Este, lamentavelmente, foi preparado sem nossa contribuição", explicou o diplomata russo.

O conflito entre Geórgia e Rússia teve início na última quinta-feira (7), quando a Geórgia bombardeou a Ossétia do Sul, região separatista em seu território, e sofreu o contra-ataque russo.

Invasão de porto
O primeiro-ministro da Geórgia, Lado Gurgenidze, acusou, nesta segunda-feira, que tropas russas entraram no porto georgiano de Poti, no mar Negro, um centro de transporte de petróleo e cargas.

"De acordo com nossas informações, tropas russas entraram em Poti e estão também em Senaki e Zugdidi", disse Gurgenidze em uma mensagem televisionada, se referindo a duas outras cidades no oeste da Geórgia.

A informação, no entanto, é negada pelo Ministério da Defesa da Rússia, informou a agência de notícias Interfax nesta segunda-feira. "As tropas nunca receberam esta ordem", disse um representante do ministério.

Recuo russo
Também nesta segunda-feira, tropas russas se retiraram da cidade georgiana de Senaki, segundo o ministério russo de Defesa, informaram as agências Ria-Novosti e Interfax. Os russos deixaram a base militar pois concluíram que não havia mais risco de que a separatista Ossétia do Sul fosse novamente atacada pelas tropas georgianas, que já haviam deixado o local.

A cidade fica a 150 km de Ossétia do Sul e a cerca de 50 km de Abjasia, outro território separatista da Geórgia. "As forças russas ocuparam a base militar de Senaki que havia sido abandonada e onde apenas estavam alguns soldados", disse o porta-voz do Ministerio do Interior georgiano, Chota Utiashvili.

Apesar disso, as forças russas ocupam "a maior parte" do território georgiano, segundo afirmou o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili. "A maior parte do território da Geórgia está ocupada", declarou o chefe de Estado em discurso transmitido pela televisão.

Segundo Saakashvili, a Rússia quer destruir a Geórgia, após admitir que as tropas russas cortaram a comunicação entre o leste e o oeste do país. "Cortaram (a ligação entre) leste e oeste. É a ocupação da Geórgia, a destruição da Geórgia", disse.

O presidente da Geórgia, que esta manhã assinou em presença internacional o compromisso escrito de cessar-fogo unilateral, lamentou que a comunidade mundial se limite ao "apoio moral" e às "palavras". "Queremos que a bárbara agressão seja detida", ressaltou Saakashvili.

As tropas russas entraram nesta segunda-feira pela primeira vez no território georgiano, fora das regiões separatistas pró-russas da Ossétia do Sul e da Abkházia. Com isso, a Geórgia anunciou que retirou suas tropas da cidade de Gori para reagrupá-las e defender a capital, Tbilisi, enquanto a Rússia negou planos de tomar a cidade. Segundo o governo da Geórgia, as tropas russas, que passaram o dia atacando Gori, onde nasceu Stalin, ainda não tomaram a cidade, informação confirmada pelo ministério da Defesa russo.

Limpeza étnica
O vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa russo, Serguei Ivanov, descartou hoje que haja um acordo de cessar-fogo com a Geórgia, um país que acusou de realizar uma "limpeza étnica" na Ossétia do Sul.

"Acuso os líderes georgianos de limpeza étnica, porque sua meta política era eliminar a população, uma ínfima população da Ossétia do Sul, porque sem ela é impossível reintegrar a Ossétia do Sul à Geórgia", afirmou Ivanov em entrevista à rede de TV americana "CNN". "Como resultado do que ocorreu, agora estou totalmente seguro que uma negociação política entre Geórgia e Ossétia do Sul jamais será uma realidade nas próximas décadas", acrescentou.

Perguntado sobre se a Rússia assinaria o pacto de fim de hostilidades assinado pelo presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, Ivanov disse que "não é um acordo de cessar-fogo". "Um cessar-fogo é assinado por ambas as partes quando se reúnem", ressaltou.

EUA x Rússia
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu que a Rússia acabe com sua ação militar na Geórgia, classificando a operação militar russa como uma inaceitável invasão de um Estado soberano.

"A Rússia invadiu um Estado soberano vizinho e ameaça um governo democrático eleito pelo povo. Tal ação é inaceitável no século 21", disse Bush.

"Há evidência de que as forças russas podem em breve começar a bombardear o aeroporto civil da capital do país. Se as informações forem precisas, essas ações russas representam uma escalada dramática e brutal do conflito na Geórgia", disse Bush a jornalistas na Casa Branca depois de retornar da China.

Conflito
A Geórgia lançou um cerco à Ossétia do Sul na última quinta-feira (7), enviando tanques para a região separatista, em tentativa de retomar o controle do local. Na sexta-feira (8), tropas georgianas bombardearam a região, considerada um enclave pró-Rússia, em uma ampliação de um conflito que já perdura desde o início dos anos 90. Em resposta, a Rússia tem bombardeado a Geórgia. O confronto já deixou cerca de 40 mil refugiados, de acordo com a Cruz Vermelha.

Com 3.900 km², a Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia, localizada no leste europeu, está em conflito com o governo georgiano desde o fim de 1990. A disputa começou quando a região se autoproclamou "república soviética", mas o parlamento da Geórgia, que estava se separando da URSS, decretou a dissolução da região autônoma. Desde então, sucessivos conflitos e tentativas de acordo marcam a disputa pela região.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, viaja amanhã à capital russa, onde deve abordar a situação com o chefe de Estado russo, Dmitri Medvedev.
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Zero Hora
13 de agosto de 2008 | N° 15694

Russos e georgianos acertam acordo de paz

Presidentes aceitaram ontem o cessar-fogo, mas algumas cidades da Geórgia continuaram a ser atacadas

No quinto dia da guerra que ameaçou incendiar o Cáucaso, Rússia e Geórgia aceitaram um plano de cessar-fogo para pôr fim às hostilidades – iniciadas na região separatista da Ossétia do Sul e que se espalharam pelo território georgiano.

O acordo de seis pontos foi anunciado ontem pelos presidentes russo, Dmitry Medvedev, e francês, Nicolas Sarkozy – atualmente na presidência da União Européia (UE) – e, mais tarde, aceito pelo governo da Geórgia. A Rússia prometeu retirar as tropas enviadas na última sexta-feira ao país vizinho, mas manterá suas forças de paz na Ossétia do Sul e na Abkházia, outra região separatista, como antes da guerra.

– O objetivo da operação foi atingido. A segurança das nossas forças mantenedoras da paz e da população civil foi restaurada – disse Medvedev.

O presidente francês, por sua vez, afirmou que a Rússia não tem a intenção de permanecer na Geórgia e afirmou que a UE está preparada para enviar representantes à região se as partes em conflito concordarem. Conforme Sarkozy, é “perfeitamente normal” que Moscou defenda cidadãos russos além de suas fronteiras, mas observou que a integridade territorial da Geórgia “deve ser respeitada”.

Segundo as Nações Unidas, haveria 100 mil refugiados

Ainda assim, o primeiro-ministro da Geórgia, Vladimir Gurgenidze, denunciou que a aviação russa retomou os bombardeios contra Gori (25 quilômetros ao sul da Ossétia do Sul), cidade natal do líder soviético Josef Stálin. Gori era a única região da Abkházia controlada pelo governo central da Geórgia.

Segundo a agência russa Interfax, separatistas abkhazes tomaram ontem a cidade de Azhara, centro administrativo do vale de Kodori. O presidente da autoproclamada república da Abkházia, Serguei Bagapsh, informou que, além de Azhara, tropas tomaram a aldeia de Chjalta. Na capital georgiana, Tbilisi, o presidente Mikhail Saakashvili anunciou que seu governo declarará as duas províncias separatistas “territórios ocupados”. O país entrou com um processo contra a Rússia na Corte Internacional de Justiça, em Haia, por limpeza étnica. Além disso, Saakashvili anunciou que seu país abandonará a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), grupo regional composto por ex-repúblicas soviéticas liderado por Moscou.

Ao menos 150 mil pessoas se reuniram ontem junto à sede do Parlamento georgiano, em uma manifestação de apoio ao governo e pelo fim dos ataques. Os manifestantes carregavam bandeiras do país e cartazes com frases como “não nos colocarão de joelhos” e “a nação georgiana não conhece o medo”. Em rede nacional, o ministro da Reintegração da Geórgia, Temuri Yakobashvili, afirmou ontem que “a guerra não terminará até que saia o último ocupante” do país.

De acordo com as Nações Unidas, o conflito já fez cerca de 100 mil refugiados e desabrigados internos. O presidente russo declarou hoje um dia de luto na Rússia pela “catástrofe humanitária” na Ossétia do Sul. Em comunicado divulgado pelo Kremlin, Medvedev expressa os pêsames aos familiares dos cerca de 2 mil habitantes da Ossétia do Sul e de 18 soldados das forças russas mortos nos cinco dias de combates. Ontem, o cinegrafista holandês Stan Storimans, 39 anos, morreu em um bombardeio de aviões russos à cidade de Gori .

Tbilisi

Os seis pontos

O que estipula o plano definido pelos presidentes da Rússia, Dmitry Medvedev, e da França, Nicolas Sarkozy (atual líder da União Européia), para resolver o
conflito:

- Renúncia ao uso da força
- Fim de todas as ações militares
- Livre acesso à ajuda humanitária
- Retorno das forças armadas da Geórgia a sua posição habitual
- Retirada das tropas russas à linha que existia antes da explosão do conflito
- Início de um debate internacional para decidir o futuro status das regiões separatistas Abkházia e Ossétia do Sul
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Zero Hora
14 de agosto de 2008 | N° 15695

EUA cobram trégua da Rússia

Ontem, Moscou teria desrespeitado o acordo de cessar-fogo

A guerra é na Geórgia, mas foram os Estados Unidos que ontem endureceram o discurso e atacaram a Rússia – reacendendo a tensão que assombrou o mundo durante os anos de Guerra Fria. Diante da suposta violação do acordo de cessar-fogo dos russos, o presidente americano, George W. Bush, deixou de lado a postura discreta e tomou partido no conflito.

Ele fez um pronunciamento logo depois de receber a notícia de que os russos haviam rompido a trégua, ao realizarem novas investidas em território georgiano. Os EUA exigiram de Moscou o cumprimento do cessar-fogo assinado na terça-feira e acusaram suas tropas de estarem bloqueando as principais vias da Geórgia. Bush decidiu enviar a secretária de Estado, Condoleezza Rice, a Paris, na França, e a Tiblisi, capital da Geórgia, para tentar auxiliar a solucionar a crise na região do Cáucaso.

– Nós não estamos em 1968 e na invasão da Checoslováquia, onde a Rússia pode ameaçar um vizinho, ocupar uma capital e derrubar um governo. As coisas mudaram – disse Condoleezza.

Os americanos também deram início ao envio de ajuda humanitária e medicamentos para a zona do conflito – um avião já havia deixado os EUA e navios da marinha estavam prontos para partir. A reação de Bush talvez tenha sido uma resposta direta à crítica feita horas antes pelo presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, que achou os americanos “brandos demais” em relação à atitude dos russos, quando estes iniciaram a ofensiva na Ossétia do Sul. Moscou não ficou atrás e rebateu as declarações.

– A liderança da Geórgia é um projeto especial para os EUA. Em algum momento, será necessário escolher entre apoiar esse projeto virtual ou então apoiar uma parceria real em questões que requerem uma ação coletiva – disse o chanceler russo, Sergei Lavrov.

Ontem, algumas horas depois do cessar-fogo, o governo da Geórgia acusou a Rússia de ter invadido Gori – terra natal do líder soviético Josef Stálin, a 25 quilômetros da região separatista da Ossétia do Sul, onde o conflito começou na semana passada. O presidente georgiano chegou a denunciar que tropas estariam tentando cercar Tbilisi, informação que foi negada.

Os russos se defenderam das acusações alegando que não tinham motivo para ocupar “uma cidade vazia” e que estavam apenas recolhendo armamentos. À noite, afirmaram que suas tropas devem desocupar Gori até hoje.

Horas antes, porém, o Ministério de Defesa russo havia colocado mais lenha na fogueira ao admitir ter derrubado “três aviões espiões na Ossétia do Sul” – um foi abatido na noite de terça-feira e os outros dois durante o dia de ontem.

O confronto na Ossétia do Sul começou quando o governo georgiano atacou Tskhinvali, capital da região que desde a década de 90 busca a independência. A Rússia entrou na guerra com a justificativa de defender cidadãos seus que vivem no território.
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