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| Outstanding Member ![]() Join Date: Sep 2006 Location: Coimbra
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| Muitas mulheres entram nas maternidades com abortos provocados por medicamentos recomendados na Internet. Num debate sobre Interrupção Voluntária a Gravidez, Teresa Sousa Fernandes denuncia a «hipocrisia» portuguesa nesta matéria «Tirem isso da cabeça. As pessoas não vão votar pela despenalização do aborto. E não vão porque têm a vida facilitada, porque neste momento faz um aborto quem quer, a qualquer hora e sem risco». Quem o diz é uma médica ginecologista e obstetra com mais de 30 anos de experiência nesta matéria. E é com convicção que o diz. Teresa Sousa Fernandes garante que dão entrada na Maternidade Dr. Daniel de Matos, onde trabalha há mais de três décadas, muitas mulheres que abortam em casa, por sua vontade, e à custa de medicamentos indicados na Internet, com instruções pormenorizadas e as mais variadas recomendações. É o caso do site da Women on Waves, cujas cópias a médica distribuiu pelos presentes num debate sobre Interrupção Voluntária de Gravidez (IVG), organizado pela Juventude Socialista (JS), que defende o “Sim” à despenalização do aborto. «Vão contando com um mau resultado», advertiu, provando com as folhas acabadas de distribuir que «eles [os cidadãos] não precisam do referendo para nada». Em português e com linguagem simples, a página da Women on Waves apresenta uma espécie de livro de instruções sobre o “Método para abortar com Misoprostol”, um medicamento que, pode ler-se, tem «uma eficácia de 90%», em que os riscos são «semelhantes aos de um risco espontâneo». «Há uma hipocrisia enorme à volta disto tudo. Toda a gente sabe que há medicamentos que se introduzem na vagina para abortar. As mulheres só têm depois de ir à maternidade, dizer que abortaram espontaneamente e pedir uma ecografia para ver se o útero está limpo», explicou, confessando que muitas vezes ela, ou os seus colegas, se apercebem do que se passou. «Há algum médico que denuncie uma mulher?», questionou. Desigualdade social A médica deixa claro que é «contra o aborto. Todo o médico que se preze é contra o aborto», mas chama de «hipócritas» todos os que «vão para a televisão, só com teoria na cabeça, sem ter a mínima noção do que se passa na realidade». «O aborto é uma questão de saúde psíquica da mulher. É o corpo dela que vai e a cabeça que fica magoada para o resto da vida», afirmou, considerando que «os que estão na Assembleia da República, eleitos pelo povo, é que deviam ter “fruta” para decidir» e para mudar a lei. Para Pedro Nuno Santos, secretário-geral da JS, o que está em causa na pergunta do referendo aceite pelo Tribunal Constitucional é, por um lado, «se o Estado deve ou não criminalizar uma mulher que interrompe uma gravidez até às dez semanas» e, por outro, se «as mulheres devem continuar a ser sujeitas ao perigo de saúde e de vida» ao fazerem um aborto clandestino. «É uma questão de desigualdade social. Todos sabem que quem tem posses interrompe a gravidez em clínicas com condições, enquanto que as mais desfavorecidas continuam a recorrer a parteiras de vão de escada», afirmou Pedro Nuno Santos, resumindo os argumentos dos defensores do “Sim” no referendo à frase: «não queremos mulheres presas e queremos garantir a sua saúde». Defendendo que os argumentos do “Sim” têm de deixar de ser «os dos direitos, da mulher, ao corpo…» como há oito anos, o dirigente da JS considera que o argumento do “Não” do início da vida também não está em causa neste referendo: «já é possível interromper voluntariamente a gravidez até às 24 semanas por mal formação do feto e às 16 semanas por violação. É uma grande hipocrisia voltar à carga com o argumento do início da vida e não pôr a lei em vigor em causa», afirmou, recordando que não há «consenso médico, filosófico, religioso sobre esta matéria». No debate, que decorreu nas Galerias de Santa Clara, participaram ainda Carla Violante, presidente do Departamento Distrital de Coimbra das Mulheres Socialistas e Magda Alves, membro da Associação Não te Prives.
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