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Rep Power: 4  | Câmara de Coimbra compra carros novos mas garante que poupa dinheiro Quote:
«Foi uma discussão daquelas boas. Daquelas politicamente importantes». Carlos Encarnação encerrou, ironizando, mais de meia hora de troca de argumentos entre vários elementos do executivo sobre a mais recente aquisição do executivo: quatro novas viaturas para vereadores e presidente que - como se pode comprovar no parque de estacionamento junto ao edifício da Câmara Municipal de Coimbra - vieram renovar a frota automóvel da autarquia.
E, efectivamente, foi uma discussão. Gouveia Monteiro deu o mote, pedindo explicações de como é que esta aquisição (de três Volvos e um Peugeot 406) «se compagina com as dificuldades financeiras» da autarquia e com as consequentes «dívidas, ainda por pagar, aos fornecedores». Marcelo Nuno fez questão de dar explicações, utilizando não só o argumento poupança, mas também com o da segurança.
Explicou o vereador responsável pela área financeira que as anteriores viaturas tinham 11 anos, mais de um milhão de quilómetros percorridos (uma média de 180 mil quilómetros por cada uma) e que, portanto, os carros já representavam despesas de conservação «muito volumosas» e um custo médio, por quilómetro, que aumentou de 29 cêntimos, em 2004, para 37 cêntimos no ano passado.
«Com a aquisição destas viaturas estamos a economizar», adiantou Marcelo Nuno, garantindo que os novos carros, a diesel e adquiridos a leasing, gastarão «4,9 litros aos 100», o que significa um custo por quilómetro que andará entre os 22 e os 25 cêntimos por litro. Para além disso, «os próprios motoristas já vinham a alertar para a questão da segurança», acrescentou o vereador, sublinhando ainda o facto de o carro do presidente ser agora «de gama inferior e com custos inferiores» ao que tinha anteriormente.
“Inoportunidade
política grave”
Os argumentos não convenceram o vereador da Habitação que, apesar de estar a tempo inteiro no executivo, garante que anda «a pé, de autocarro ou em carro próprio». «Todos os argumentos são possíveis, mas o que é certo é que posso propor a melhor das medidas de racionalidade económica que o que é dito é que não há dinheiro para isso», adiantou Gouveia Monteiro, criticando especialmente o «critério de oportunidade» para a aquisição das viaturas.
«Não vivo noutro planeta. Falo com fornecedores, com colectividades que têm subsídios há dois anos por receber. Para além disso, conheço as viaturas que estão a ser substituídas e não tive a análise de estarem decrépitas», afirmou o vereador, considerando esta decisão de «uma inoportunidade política muito grave», uma vez que ter à porta da autarquia quatro novos carros «vai trazer prejuízos no diálogo e na troca de argumentos com cidadãos, fornecedores e com os próprios trabalhadores na câmara».
Marcelo Nuno voltou a argumentar com números, garantindo que a autarquia irá gastar «22 mil euros por ano» com a nova frota, o que é «muito menos do que gastava com a manutenção» da antiga. Quanto ao diálogo com os fornecedores, adiantou que «eles entendem que estamos a fazer um esforço para pagar mais cedo. E o que é certo é que ainda não falhámos nenhum dos nossos compromissos».
Carlos Encarnação tentou colocar alguma serenidade na discussão. «Isto é dos manuais. Discussão sobre a compra de novos carros é sempre interessante», brincou, resumindo que se tratou de substituir cinco carros com «quilómetros a mais, consumos a mais, recursos oficinais a mais» por quatro «que consomem menos e têm menos gastos».
O autarca até conseguiu serenidade. Mas quando respondeu a Fátima Carvalho (PS) que não trouxe o assunto à reunião antes da aquisição porque, para além de ter competências para o fazer, «de uma maneira ou de outra o João Silva [ex-vereador e ex-deputado municipal pelo PS] escreveria um artigo sobre o assunto», Victor Baptista (que antes disse não ter uma «visão miserabilista» sobre o assunto), acusou Encarnação de estar «a meter lateralmente o assunto para ver se passava».
«Não é fácil fazer entender os cidadãos como é que se adquirem viaturas novas e depois há subsídios que não se pagam, obras que não andam um metro, saneamento por construir», afirmou o socialista, dizendo que nem quer pensar a «velha história do homem falido que, para enganar os credores, compra viaturas novas». Encarnação respondeu, mais uma vez, brincando. «É fácil esconder uma bicicleta, um par de patins, mas acho que ter a ideia de que queríamos esconder quatro carros é extraordinária», rematou.
| engraçado que a camara não tem dinheiro nem para mandar cantar um ceguinho mas para carros novos para passearem já tem..  |