Jornal do Comércio
24/11/08
Caxias é exemplo em coleta seletiva
Cada brasileiro descarta em média 950 gramas de resíduos sólidos por dia, o que resulta em quase 350 quilos por ano. Desse material, apenas 2,8 quilos chegam a ser reciclados, o que torna o lixo um dos principais problemas da nossa sociedade. No Rio Grande do Sul, um dos locais mais avançados no que tange a coleta seletiva é a cidade de Caxias do Sul, que iniciou a prática em 1991.
Com seus 495 mil habitantes, o município recicla diariamente a mesma quantidade de lixo que Porto Alegre: 60 toneladas. Segundo Adiló Ângelo Didomênico, diretor presidente da Codeca (Companhia de Desenvolvimento de Caxias do Sul), empresa responsável pela limpeza do município, Caxias deposita hoje menos lixo do que depositava em 2004. "A cidade cresceu e o lixo diminuiu. O segredo é a reciclagem", afirma.
Reduzir ao máximo a quantidade de lixo que chega ao aterro é um dos principais desafios da cidade, que comemorou em agosto a implantação de um sistema de contêineres. Inédito no País e inspirado em modelos de Montevidéu e Bogotá, a prática consiste em compartimentos de plástico distribuídos por 60% da cidade nas cores verde, para lixo orgânico, e amarelo, para resíduos recicláveis. O material descartado passou a ser recolhido por caminhões automatizados, sem a presença de coletores, o que aumenta a eficiência da coleta. "Mas não demitimos ninguém. Os funcionários que sobraram foram remanejados, colocados em turnos extras", explica Didomênico.
O diretor lembra que um dos objetivos do sistema foi amenizar os problemas causados pelo ensacamento. "Os sacos rasgam, causam acidentes, a chuva leva o lixo para as bocas-de-lobo", enumera. Além disso, com os contêineres, a população tem a possibilidade de descartar o lixo 24 horas por dia, o que triplicou a quantidade de material coletado. Segundo Didomênico, "as pesquisas mostram que se a família não tem coleta freqüente tende a descartar o orgânico".
O aumento na oferta de material descartado corretamente beneficiou as associações de reciclagem existentes na cidade. Hoje há dez delas conveniadas com a prefeitura, trabalhando em sistema de cooperativa, e outras dez particulares. Todas recebem o lixo direto dos caminhões da Codeca. A renda dos cooperativados varia de acordo com o nível de organização das associações, indo de R$ 300,00 até cerca de R$ 1.000,00 por mês.



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