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| Zero Hora 05 de julho de 2008 | N° 15653 Caem furto e roubo de veículos Autoridades policiais atribuem a redução dos índices do primeiro semestres às investigações concentradas em assaltantes que agem por encomenda e à política de barreiras desde 2007Quase mil veículos deixaram de ser levados por ladrões no primeiro semestre deste ano na comparação com o número de ataques ocorridos no mesmo período de 2007. Se as polícias Civil e Militar comemoram a redução de roubos e furtos de veículos, o desafio é conter os homicídios. A queda de 5,92% no número total de ocorrências de furto e roubos de veículos segue uma tendência já registrada no segundo semestre do ano passado. A Brigada Militar atribui a redução, em parte, à política de barreiras implantadas desde 2007. - Quanto mais abordagens fizermos, mais cairão os índices de violência. É o feijão com arroz do policiamento, mas é o que funciona - avalia o comandante-geral da BM, coronel Paulo Roberto Mendes. Segundo avaliação da polícia, outra ação que contribuiu para a redução foram as investigações da Delegacia de Repressão ao Roubo de Veículos concentradas em assaltantes que agem sob encomenda. - Antes iniciávamos a investigação pelos receptadores. Descobrimos que, no final, prendíamos apenas um balconista de algum desmanche, que estava solto na semana seguinte. Agora, concentramos a ação nos bandos que roubam os carros - explica o delegado Heliomar Athaydes Franco. A notícia ruim do levantamento da Segurança Pública (SSP) foi a falta de controle dos assassinatos, que subiram 4,1%. Desde o início do ano, uma pessoa foi morta a cada seis horas no Estado. Do total de homicídios, 179 ocorreram na Capital, quase um caso por dia.
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| Zero Hora 06 de julho de 2008 | N° 15654 Legião estrangeira O Rio Grande do Sul está na rota dos investidores especializados em adquirir participação em empresasDinheiro não tem sotaque, e por isso, não é tão visível a participação de investidores estrangeiros na economia gaúcha. Mas a verdade é que dólares, euros, ienes, libras e pesos de diferentes latitudes, via fundos, aumentaram o desembarque no Estado e são fontes de financiamento cada vez mais importantes para o crescimento das empresas locais. O aumento do apetite dos investidores internacionais por oportunidades fora dos ninhos tradicionais colocou o Brasil na rota dos fundos chamados private equity e capital venture, especializados em adquirir participação em empresas, ajudá-las a crescer e, em seguida, sair com lucro do empreendimento. São considerados de alto retorno e maior risco. Para as empresas, significam uma fonte de financiamento e um compromisso com práticas de governança e transparência de gestão. O volume de recursos desse tipo de fundo alocado no país passou de US$ 5,5 bilhões para US$ 17 bilhões entre 2005 e 2007, segundo censo elaborado pelo Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (GV-Cepe). Este ano, deve chegar a pelo menos US$ 22 bilhões, informa Cláudio Vilar Furtado, diretor do centro. É uma onda que as empresas gaúchas já têm musculatura e reflexos treinados para aproveitar. Entre 2006 e o primeiro semestre de 2008, 39 empresas com algum tipo de operação no Rio Grande do Sul receberam participação de capital estrangeiro, seja por meio de fusões ou de aquisições, aponta pesquisa da consultoria KPMG. Exemplos recentes são a Zamprogna, cujo controle passou ao NGS Administração de Recursos, em maio de 2007, e a Guerra, adquirida no mês passado pelo fundo francês Axxon. Em 1998, o fundo composto pelo Bradesco e pelo grupo norte-americano Franklin Templeton comprou ações da Marcopolo, de Caxias do Sul. A Lupatech, também de Caxias, é conhecida por ter experimentado - com ótimos resultados - todas as etapas do capital de risco no Brasil, dos fundos à abertura de capital, e emissão de debêntures. Há pioneirismo também do outro lado do balcão. A gaúcha CRP Companhia de Participações serviu de modelo para algumas operações realizadas no país e foi a primeira empresa de capital de risco a investir na Lupatech, recorda Leonardo Ribeiro, do L2R Investments. Hoje a empresa administra R$ 100 milhões, a maior parte por meio do fundo CRPVI, que investe em empresas com faturamento de até R$ 100 milhões, conforme o diretor executivo, Dalton Schmitt Jr. Se não tem sotaque, por que haveria de ser bairrista? Os fundos, que eram 71 em 2005 e hoje chegam a pelo menos 120, entre nacionais puros, estrangeiros e mistos, estão concentrados em São Paulo, mas com investimentos distribuídos, em sua maioria, no Sudeste e no Sul. Têm rígidas regras para proteção dos cotistas e escolhem empresas com potencial para crescer e de boa gestão. Muitas vezes nem fazem parte dos órgãos diretivos das companhias, mas acabam pressionando por melhorias. O diretor financeiro do Banrisul, Ricardo Hingel, diz que os fundos que compraram 88% das ações do banco no ano passado estimularam a instituição a ter mais transparência e qualidade nas informações. Independentemente do total investido, os fundos também seguem regras básicas do poupador comum e não colocam todos os ovos na mesma cesta. Entre seus critérios estão a geografia (mundial) e a especialização setorial. Furtado, do GV-Cepe, explica que, no Brasil, as tendências dessa indústria são: fundos sementes com cerca de US$ 700 milhões e apetite por empresas pequenas, inovadoras e com equipes profissionais, além dos venture capital, com US$ 1 bilhão e de olho em companhias de médio e pequeno portes com receita bruta entre R$ 30 milhões de R$ 100 milhões, e dos private equity, voltados a empresas com faturamento a partir de R$ 100 milhões. É só os gaúchos mostrarem o cardápio.
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| Zero Hora 06 de julho de 2008 | N° 15654 Os cérebros já podem ficar A história de nove profissionais atraídos do Exterior pelas oportunidades do Ceitec, que produzirá chips em Porto Alegre, numa nova fase da alta tecnologia no país Frederico Möller poderia muito bem seguir o caminho de tantos bons alunos brasileiros do setor de tecnologia ao concluir, na França, a faculdade de engenharia de computação iniciada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS): ficar por lá, arranjar um bom emprego na área, uma bolsa de mestrado e completar sua formação no Exterior. Teria de driblar a dificuldade da língua e dos costumes, aprender uma nova cultura de trabalho, com limites e técnicas consolidadas. Mas não precisou aprender a viver na Normandia. - Lá, chove oito dias por semana - brinca o rapaz de 26 anos. Assim como Miguel Branco escapou do famoso mau humor dos franceses, como Julio Leão da Silva Júnior pôde ficar no Brasil ao lado dos filhos, como Edelweis Ritt se sentiu em casa novamente depois de mais de uma década no Exterior, como André Daltrini conseguiu uma experiência prática de mercado sem precisar morar na Irlanda do Norte. Eles são mestres, doutores ou pós-doutores, e encontraram vaga no Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec). Não que seja notícia o fato de um profissional qualificado encontrar trabalho. A volta e a permanência desses nove cérebros evidencia o ressurgimento de um setor da economia que impulsionou o desenvolvimento em países asiáticos, especialmente emergentes como Índia e China: a microeletrônica. Destroçada no Brasil com a soma da crise econômica à abertura de mercado de tecnologia, em 1991, a área de microchips simplesmente deixou de oferecer postos de trabalho durante uma década. Quando o chefe de operações do Ceitec Julio da Silva Júnior deixou o Brasil, em 1994, para um mestrado na Bélgica, antes de ir para a Califórnia, não havia empresas de design ou de produção de microeletrônica para atuar. Quando o projetista João Leonardo Fragoso saiu para um doutorado na França, em 2001, a única opção era a fábrica da Freescale, em São Paulo. Mas, em 2006, Frederico Möller fez intercâmbio na Normandia e pôde encarar o Exterior apenas como uma experiência, não como a única saída para ficar na indústria. - Ainda quero trabalhar fora, mas não neste momento. Estamos criando do zero, vendo a coisa caminhar - relata. A "coisa", no caso, é o desenvolvimento da microeletrônica que o governo federal tenta imprimir com o programa CI Brasil, no qual serão investidos cerca de R$ 40 milhões, em três anos, em cinco centros de design de microchips e na formação de engenheiros especialistas em semicondutores. O Ceitec é um desses centros, com a diferença que fabricará, além de desenhar, os circuitos integrados. Participar da recuperação do tempo perdido é o motivo citado por todos os nove profissionais do Ceitec que voltaram ao Brasil. Ou vieram, como o francês Cyrille Lambert, 32 anos, doutor em eletrônica evolutiva. Soube que o Brasil podia ser uma oportunidade quando um vizinho brasileiro, em Londres, leu uma reportagem na qual dizia que o centro buscava projetistas. Lambert procurava mudar de ares e já havia passado por grandes empresas. Encarou a mudança para Porto Alegre como uma chance de sair da rotina e participar da criação do Ceitec. - Não fiz doutorado para entrar em uma linha de montagem, com improviso zero. Aqui, precisamos ter iniciativa e criatividade, o que é muito bom - diz o francês. A expectativa é de que a criação de mais design houses, para projetar chips, expanda o mercado e aumente os investimentos privados na área. Daí a expectativa de Miguel Branco, gerente de marketing do Ceitec, de que voltar à Europa, onde morou por 16 anos, não será por falta de oportunidades aqui. Formado na Poli/USP, considera o Brasil hoje "muito mais humano" do que o país da hiperinflação que deixou na década de 80. - Na época, todos estavam rabugentos e queriam ir embora. Hoje temos esperança no futuro. Isso não tem preço. A França é fantástica, mas vive num negativismo enorme. Também voltei porque o pessimismo é contagiante - recorda. E que tal estudar com afinco por uma década e acabar extremamente especializado em algo no qual não há chance de trabalhar em produção comercial por aqui? Foi o caso do físico André Daltrini, de Campinas. Chegou ao pós-doutorado na área de plasma e deparou com uma só perspectiva: pesquisa acadêmica. Queria ter a experiência de indústria, mas aí, só no Exterior. Atuava como professor e pesquisador visitante na Irlanda do Norte quando teve contato com o gerente da fábrica do Ceitec, que precisava de alguém com seu conhecimento. Como os reatores de plasma mudaram muito desde que as fábricas fecharam no país, a especialidade nessa área estava nas universidades. - Já estudei o que havia para estudar, agora é aplicar na prática o que aprendi - espera. Projetando viver no mínimo cinco anos na Capital, André trouxe a mulher, que faz doutorado na UFRGS, para Porto Alegre. Uma cidade acolhedora, para ele. E onde teve a oportunidade de seguir na carreira e no seu país, ao mesmo tempo.
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| Zero Hora 06/07/08 Energizado As cooperativas de energia do Rio Grande do Sul também estão com o dedo na tomada. Devem sair da prancheta projetos de construção de 13 pequenas centrais hidrelétricas no Estado. Somados, os empreendimentos receberão investimentos da ordem de R$ 450 milhões. E deverão gerar 143 megawatts de energia. As 15 cooperativas gaúchas do setor já operam 20 pequenas centrais no Pampa.
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| Prefeitura de Porto Alegre 06/07/08 Duplicação da Dona Teodora está 85% concluída A duplicação da Avenida Dona Teodora, uma das obras complementares do Viaduto Leonel Brizola, que faz parte do Programa Integrado Entrada da Cidade (Piec), está com 85% da pavimentação concluída pela Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov). "Esta via é uma artéria que vai revitalizar toda a região, ligando a Terceira Perimetral à freeway", avalia o secretário municipal de Obras e Viação, Cássio Trogildo. Já as obras do viaduto estão 90% concluídas. A conclusão está prevista para outubro. Para a duplicação da Avenida Dona Teodora, dez famílias foram realocadas para o Loteamento Santa Terezinha (ex-Vila dos Papeleiros) e para casas de passagem, por meio do Departamento Municipal de Habitação (Demhab). As famílias cadastradas no Piec que foram para o loteamento receberam sobrados de 44 metros quadrados. As casas possuem sala e cozinha conjugada, dois dormitórios e banheiro. "Com a transferência, além de garantirmos moradias dignas para famílias em situação de risco, vamos possibilitar o acesso do viaduto até a Voluntários da Pátria", afirma o responsável pelo Piec, Roberto Brum. Novos empreendimentos - Além de qualificar o fluxo de veículos na entrada da cidade, a obra trará novos empreendimentos e investimentos para a Zona Norte da Capital. Conforme o engenheiro responsável, José Carlos Keim, 70% das demais obras complementares, como as vias de acesso, estão prontas.
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