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| Zero Hora 25 de maio de 2008 | N° 15612 O desafio de ampliar as exportações de carne Reconhecimento dado ao RS ajudou as vendas externas, mas principais países ainda não são compradores No tilintar das taças de champanha da comitiva brasileira que acompanhou e comemorou, em maio de 1998, o reconhecimento de Rio Grande do Sul e Santa Catarina como áreas livres de aftosa com vacinação, vibrava o sonho de vender a carne gaúcha para os principais mercados mundiais. Passada uma década da assembléia da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), em Paris, que marcou a chancela internacional à condição sanitária, o Brasil se tornou o maior exportador de cortes bovinos do planeta, mas ainda não tem acesso aos melhores compradores, como Estados Unidos e Japão. No ano passado, o país embarcou 2,5 milhões de toneladas de carne, gerando receita de US$ 4,4 bilhões. - O Rio Grande do Sul, ao lado de Santa Catarina, cumpriu um papel pioneiro e importante - afirma Sebastião Guedes, presidente do Conselho Nacional de Pecuária de Corte. Por outro lado, a história demonstrou que manter longe o vírus da aftosa era mais difícil do que se imaginava. Em 2000, o Rio Grande do Sul retirou a vacinação. Uma comitiva de importadores norte-americanos já havia visitado o Estado para negociar a abertura do mercado, e o clima era de euforia. Mas a notícia de um foco de aftosa em Jóia, no nordeste gaúcho, no final de julho, caiu como uma bomba e pôs em banho-maria negociações iniciadas logo após a assembléia da OIE de 1998, como lembra o então ministro da Agricultura, Francisco Turra, líder da comitiva brasileira em Paris. - Em seguida ao reconhecimento (pela OIE), nossa secretaria em Paris recebeu em dois dias 62 pedidos de reuniões de nações para firmar acordos sanitários - recorda-se Turra. Se o ímpeto dos importadores teve um freio com o foco de Jóia, um trauma para o Estado que produziu cenas marcantes de sacrifício de animais, a situação agravou-se com casos registrados em 2001, na Fronteira. Mesmo com o encerramento oficial dos episódios no ano seguinte, só em 2004 as exportações gaúchas de carne bovina deslancharam, ultrapassando as 100 mil toneladas. Ainda assim, os principais compradores, tanto de carne suína quanto bovina, são mercados secundários, como o russo, que paga menos do que países como Estados Unidos, México e Japão. - O Brasil disputa hoje menos de 50% do mercado comprador. Nós só conquistamos mercados porque esse pessoal não tinha de quem comprar - diz Fernando Adauto de Souza, do Fundo Estadual de Defesa Sanitária. A dificuldade de acesso aos mercados pode ter um fundo mais econômico do que sanitário. Argentina e Uruguai, que também registraram focos em 2001, já exportam para os Estados Unidos, lembra Guedes. Por conta disso, os uruguaios receberam preço médio de US$ 10,2 mil por tonelada in natura exportada em abril deste ano, ante US$ 3,4 mil no Brasil. A situação que evidencia protecionismo também reforça a esperança gaúcha. - O Rio Grande do Sul é o melhor Estado para exportar para os Estados Unidos, porque está protegido por Santa Catarina, que é livre de aftosa sem vacinação, e por Uruguai e Argentina, que têm bom conceito internacionalmente - avalia Zilmar Moussalle, diretor do Sindicato da Indústria da Carne no Estado. Antes, porém, o desafio é recompor o rebanho, reduzido após anos de venda de fêmeas em decorrência da crise gerada pelas secas e pela própria aftosa.
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| Zero Hora 25 de maio de 2008 | N° 15612 Projeto está mais perto do pólo gaúcho Bahia disputa com Rio Grande do Sul planta que usa etanol Quanto maior o preço do barril de petróleo, mais cresce a importância de uma unidade industrial em disputa entre Rio Grande do Sul e Bahia. A produção de polietileno verde a partir de etanol, que a Braskem deve anunciar nas próximas semanas, tem tudo para criar raízes em solo gaúcho, mas ainda é preciso adubar as relações entre a companhia e o governo. Uma das questões cruciais em negociação é o estoque de créditos de ICMS que a companhia privada acumula nos dois Estados. Essa condição foi manifestada pelo presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, em fevereiro, quando delimitou a disputa aos dois Estados - onde a empresa já tem unidades industriais. - A questão tributária é importante em qualquer projeto, e ainda mais para um de perfil exportador como é esse - disse então Grubisich. Cercadas de sigilo, as negociações já cruzaram vários dos prazos estipulados pela Braskem para a definição do local. Para acelerar a implantação, a companhia solicitou licença ambiental à planta que dá origem ao processo nos dois Estados. A do Rio Grande do Sul já foi concedida, e compreende a expansão do terminal fluvial Santa Clara e da geração de energia elétrica, estimada em 45 megawatts. A da Bahia deve sair esta semana. - Estou há pelo menos cinco meses em conversas com a empresa, já tivemos 12 reuniões. Não há definição, mas estamos próximos disso. Estou muito confiante de que será positiva, avançamos bem - afirma o secretário da Fazenda, Aod Cunha, que comanda as tratativas. O fato de ter o secretário da Fazenda do Estado como principal interlocutor é uma das vantagens competitivas dos gaúchos sobre os baianos, já que o principal nó da definição é o estoque de créditos. Na Bahia, o responsável é o secretário da Indústria e Comércio, Rafael Amoedo Amoedo. - Negociação é negociação, a gente não divulga. Temos interesse, como o Rio Grande tem. Na Bahia há um pólo consolidado, temos de ver essa nova vertente. Temos uma negociação e vamos chegar à solução - diz Amoedo. Seu colega da Fazenda baiana, Carlos Martins Marques de Santana, reconhece o acúmulo de créditos, mas diz que o tema não está em debate: - Não existe essa negociação. Eu desconheço, aqui na Fazenda. Um dos motivos para que o governo baiano fosse mais agressivo na atração do projeto já não incomoda tanto: as duas unidades fechadas pela Dow Química no início do ano já estão em outras mãos e prontas para voltar a operar, assegura Santana. Circula a versão de que o estoque de créditos no Estado alcançaria R$ 300 milhões, e na Bahia R$ 500 milhões. Nenhum dos secretários confirma os valores. Também não desmente.
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| Zero Hora 24/05/08 Sinergy Enterprises, prevê a construção de três plantas voltadas à produção do 18F-FDG O empresário gaúcho José Antônio Fernandes Martins, que durante anos conduziu o processo de internacionalização da Marcopolo, está à frente de novo empreendimento que vai estacionar no Brasil. Mas em área totalmente diferente ao negócio do qual foi um dos controladores até este ano. Martins trará ao Brasil uma revolucionária tecnologia na área da saúde. O projeto, que tem parceria com o grupo Sinergy Enterprises, prevê a construção de três plantas voltadas à produção do 18F-FDG (fluordeoxiglicose) - um dos mais avançados radiofármaco para o diagnóstico precoce de câncer. Será investimento de US$ 16,5 milhões. A primeira unidade já está sendo instalada na zona norte de Porto Alegre e deverá entrar em operação em junho do próximo ano. As outras duas plantas serão implantadas no Rio de Janeiro e em São Paulo.
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| Zero Hora 25 de maio de 2008 | N° 15612 Para mudar a cidade Não é apenas um edifício incomum - raro - aquele que vai servir de sede para a Fundação Iberê Camargo. Um prédio feito esse tem potencial para transformar a vida da cidade. Estudiosos das áreas de arquitetura, turismo e hotelaria acreditam que o museu desenhado pelo português Álvaro Siza poderá alterar tanto a percepção dos porto-alegrenses sobre a Capital quanto a percepção do país - e do mundo - sobre ela. Isso deve se refletir na relação das pessoas com a orla do Guaíba, no entendimento sobre a arquitetura contemporânea e até mesmo no fluxo turístico. Porto Alegre passa a ser importante referência internacional. Serve de indicador a miríade de jornalistas europeus que, desde quinta, aporta no número 2.000 da Avenida Padre Cacique. - Há 20 anos, quando você viajava para a Europa e dizia que era de Porto Alegre, tinha que explicar o que era isso. Hoje, estamos no mapa. Porto Alegre é a cidade brasileira que tem um Álvaro Siza - sublinha Flávio Kiefer, arquiteto e professor da UniRitter. Siza é reconhecido como um dos cinco mais destacados arquitetos da atualidade. O museu que ele concebeu para acolher a obra do pintor gaúcho Iberê Camargo é um dos mais sofisticados do gênero, seja por suas linhas sinuosas ou pelos recursos de iluminação, prevenção de incêndio e ar-condicionado. Um exemplo: o esgoto já sairá tratado do prédio. Novos museus são os novos cartões-postais Pesquisadores como o inglês David Harvey têm chamado de "novos museus" os edifícios como o da Fundação Iberê. Eles seriam reflexo de uma "gestão empresarial" da urbe. - As cidades passaram a ter um comportamento empresarial. Precisam se inovar e empreender. Precisam se tornar competitivas. A revitalização de centros históricos e a implantação de novos museus colocam as cidades na vitrine global - analisa Luis Gustavo Silva, coordenador do curso de Hotelaria da PUCRS. - Os museus são o novo cartão-postal das cidades - confirma a professora Susana Gastal, dos cursos de Turismo da PUCRS e da Universidade de Caxias do Sul. Acredita Susana que, no caso de Porto Alegre, deverá haver um deslocamento do eixo cultural da Capital para a Zona Sul, passando pelos cinemas do futuro BarraShoppingSul e pela criação de mais centros culturais. - Não há escolha - sublinha. - Aquela região deve atrair novos equipamentos. Isso ajuda até mesmo a definir o que poderá acontecer com o Estaleiro Só (hoje abandonado). Edson Mahfuz, arquiteto e professor de Arquitetura na UFRGS, enxerga outra possibilidade no prédio de Siza: a de abrir os olhos da população para um design mais complexo. - Esse é um prédio de exceção - diz. - Em um primeiro momento, as pessoas podem reclamar, dizer que ele parece um bunker. Mas isso é preguiça de se envolver com o objeto. Quem sabe, depois de duas ou três visitas, ele seja assimilado. Com o tempo, talvez se entenda que essa é a arquitetura necessária: um prédio que não está de olho no comercial, mas que corresponde àquilo que o arquiteto entendeu que era o melhor para a situação. No mundo O fenômeno Bilbao Em 1997, Bilbao recebeu com certo estranhamento o prédio de titânio (acima) desenhado pelo arquiteto norte-americano Frank Gehry. Não faltou quem reclamasse de seu desenho ou do quanto ele havia custado: pelo menos US$ 100 milhões. Não demorou, porém, para que o edifício - sede da filial do Guggenheim Museum no País Basco - transformasse radicalmente a vida da cidade. Em menos de três anos, Bilbao, até então pouco mais do que um ponto de parada no caminho dos Pirineus, já atraía quase 1,5 milhão de turistas ao ano. O museu é hoje um dos mais festejados do mundo. O fenômeno Mac Niterói A sede do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, no Estado do Rio, nasceu com polêmica, em 1996, depois de cinco anos de obras de construção. A população local não entendia o prédio, Até mesmo curadores e artistas reclamavam dos contornos do museu, lindo de se ver, mas difícil para se montar exposições de arte. A alternativa foi enfrentar o edifício desenhado por Oscar Niemeyer, convidando os artistas a criar obras que respondessem à própria configuração arquitetônica. O professor Luis Gustavo Silva, do curso de Hotelaria da PUCRS, observa que, hoje, o museu é motivo de orgulho para os niteroienses: - Niterói se tornou um dos principais destinos turísticos do Brasil - aponta. - Tem gente que atravessa o mundo para conhecer a cidade. Em Porto Alegre A nova sede da Fundação Iberê Camargo tem inauguração prevista para a próxima sexta-feira. No sábado, 31, a instituição abre as portas para o público em geral. A entrada será franca. O prédio foi desenhado pelo arquiteto português Álvaro Siza, 75 anos, o mesmo que restaurou o histórico bairro do Chiado, em Lisboa, e que construiu o Centro Galego de Arte Contemporânea, em Santiago de Compostela. Em 2002, o projeto da Fundação Iberê mereceu o Leão de Ouro, prêmio máximo da Bienal de Arquitetura de Veneza, na Itália. A obra custou R$ 40 milhões, sendo que quase 40% desse valor foi bancado sem o uso de leis de incentivo pelas empresas Gerdau, Petrobras, Camargo Correa, RGE, DeLage Landen, Itaú e Vonpar. A mostra inaugural vai reunir 89 pinturas, gravuras e desenhos de Iberê Camargo (1914 - 1994), artista gaúcho que, em vida, chegou a ser saudado como o maior pintor em atividade no país.
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| Prefeitura de Porto Alegre 24/05/2008 Camelódromo Vigas da segunda passarela serão instaladas segunda-feira As vigas restantes que fazem parte da estrutura das passarelas do Centro Popular de Compras (CPC) serão instaladas na noite de segunda-feira, 26. As duas passarelas farão a ligação do camelódromo com o terminal Tamandaré, passando por cima da Avenida Júlio de Castilhos. A colocação das vigas será feita a partir das 23h e deve se estender até a madrugada de terça-feira, 27. As primeiras vigas que ligarão o CPC, na praça Rui Barbosa ao terminal Tamandaré, sobre a Avenida Júlio de Castilho, têm 24 metros de comprimento e foram instaladas durante a madrugada desta quinta-feira, 22, por operários e engenheiros da empresa Verdicon, em conjunto com uma empresa especializada em içamento por guindastes. O camelódromo abrigará 800 lojas que serão ocupadas por comerciantes populares do Centro, já credenciados pela Smic. Cada um receberá um box de quatro metros quadrados, contendo pontos de luz, água e telefone. O CPC também terá praça de alimentação, sanitários, acesso para deficientes, sistema de segurança por câmeras de vídeo e policiamento.
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