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| Zero Hora 03/10/09 Brasil conhece preço de caças França, Estados Unidos e Suécia entregaram as propostas finais para tentar negociar 36 aviões-bombardeio com governo Os futuros caças estrangeiros com bandeira brasileira são para cuidar dos nossos céus, mas a briga por eles se desenvolve no chão. Os três concorrentes que disputam a venda de 36 caças encaminharam oficialmente ao Comando da Aeronáutica as propostas finais que serão analisadas pela Força Aérea Brasileira para a escolha da empresa vencedora. Ontem mesmo, quando se encerrou o prazo da FAB para receber melhorias nas propostas das empresas da França, da Suécia e dos Estados Unidos, que desejam negociar os aviões com o Brasil, os fabricantes das aeronaves fizeram lobby junto ao governo, no Congresso e na imprensa, em Brasília. Enquanto a Boeing (EUA) distribuiu um texto insistindo na transferência de tecnologia com o F-18 Super Hornet, enviados dos governos e das empresas da França e da Suécia tinham reuniões em separado com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e participavam de debates no Congresso. O presidente mundial da empresa sueca Saab, Ake Svensson, por exemplo, admitiu até possibilidade do governo da Suécia adquirir aviões brasileiros Super Tucano e KC-390, caso o país seja escolhido na concorrência. Mas não revelou quantas aeronaves brasileiras podem ser compradas no futuro. – Queremos desenvolver parceria de iguais com a indústria brasileira. Oferecemos 175% (de compensações) em cima do valor do contrato. Oitenta por cento diretamente ligado à aeronave, 15% em outras áreas de tecnologia e 5% a critério, além dos 75% adicionais – afirmou o presidente da Saab. Svensson acrescentou ainda que o compromisso da Saab é de revolucionar a Força Aérea Brasileira, “oferecendo independência em vez de dependência”, referindo-se, indiretamente, ao que considera que o Brasil passaria a ser se comprasse dos franceses ou dos americanos. Numa crítica à proposta da Suécia, já que o Gripen NG ainda é um projeto, Edouard Guillaud, chefe do gabinete militar da França, garantiu que a França oferece “aeronaves que voam em combate, não aeronaves que voarão daqui a oito ou 10 anos, que eu qualifico de versão de papel”. Em relação à proposta da Boeing, criticou: – Os que participam (do programa anterior ao F-18, o F-16) acham que o retorno tecnológico é fraco. O Brasil deseja comprar 36 aviões de combate, em contrato estimado entre US$ 4 bilhões e US$ 7 bilhões. A francesa Dassault Aviation é considerada a líder na disputa com seu modelo Rafale, em razão de sua oferta de transferência tecnológica e das relações militares entre Brasil e França. O grupo enfrenta concorrência da americana Boeing, com o modelo F/A-18 Super Hornet, e da sueca Saab, que defende o Gripen NG. Enquanto o F-18 trabalha com sistemas americanos, e o Rafale, com franceses, o Gripen NG é ainda um projeto, com 50% de componentes de diferentes fornecedores e países. O motor é dos EUA. O parecer da FAB irá para o Ministério da Defesa até o final do mês e depois será encaminhado ao Palácio do Planalto. A decisão, ainda sem data definida, será dividida entre o Conselho de Defesa Nacional e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, por sua vez, disse que Lula não pretende discutir sobre a compra de caças com o governo sueco, na visita que fará terça-feira a Estocolmo. Em entrevista, Baumbach afirmou que o Brasil está disposto a discutir o aumento da cooperação na área de Defesa, mas não pretende falar sobre os caças. Nas asas da polêmica A COMPRA As idas e vindas de um negócio bilionário: - Na esteira de um megainvestimento para reaparelhar a frota da Marinha com submarinos e helicópteros, o presidente Lula aproveitou a visita do colega Nicolas Sarkozy ao Brasil nos dias 6 e 7 de setembro para anunciar ter aberto negociação para a compra de 36 aviões franceses. OS CONCORRENTES - A declaração surpreendeu os militares, em razão de a Aeronáutica não ter finalizado relatório de avaliação dos três modelos de aeronaves que disputam a licitação. O RECUO - A repercussão negativa fez o ministro da Defesa, Nelson Jobim, recuar e declarar que a concorrência continuava indefinida. AS PROPOSTAS - Na tentativa de anular a ofensiva francesa, Estados Unidos e Suécia concordaram em transferir a tecnologia dos caças, uma das vantagens da oferta da França. A BARGANHA - Às vésperas do encerramento do prazo para entrega das propostas, os suecos lançaram uma derradeira investida, oferecendo dois aparelhos pelo preço de um. A PRORROGAÇÃO - Em 21 de setembro, a Aeronáutica estendeu o prazo para apresentação das propostas de venda de caças ao Brasil. As fabricantes entregaram suas ofertas finais ontem.
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