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| Zero Hora 02 de novembro de 2009 | N° 16143 Empresários pedem reforma do Mercosul Ideia é recuar e permitir apenas o livre comércio para facilitar negócios do Brasil com outros países Líderes empresariais brasileiros defendem uma reinvenção do Mercosul para reanimar o projeto de integração internacional. Uma alternativa que volta a ganhar força é dar um passo atrás e transformar o bloco em área de livre comércio, substituindo a atual união aduaneira. Amudança liberaria o Brasil para fechar, sozinho, acordos bilaterais com blocos importantes, como, por exemplo, a União Europeia (UE), cujas negociações com o Mercosul serão retomadas na quarta-feira em Lisboa. Para os empresários, o conflito com a Argentina – que paralisou caminhões na fronteira na semana passada – e a entrada da Venezuela no Mercosul – mais próxima com a aprovação pela Comissão de Relações Exteriores do Senado – deixa o bloco mais fragilizado nas negociações. Segundo o diretor de comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, uma área de livre comércio não deixaria o Brasil tão atrelado ao protecionismo argentino. – Não é uma questão de desprezar o Mercosul, mas saber se efetivamente funciona – completa o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Aguinaldo Silva, que concorda com a mudança. O desvio de comércio a favor da China, provocado pelas licenças não automáticas aplicadas pela Argentina, foi a gota d’água para a paciência dos empresários. A avaliação é que o Brasil só fica com o ônus da união aduaneira – negociar em conjunto –, mas não aproveita os benefícios. Presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato lembra que os celulares brasileiros estão sob ameaça de um “impostaço” tecnológico na Argentina. – A indústria brasileira é mais desenvolvida e não tem solicitado o mesmo nível de proteção dos argentinos – afirma Barbato. Um dos motivos do desinteresse dos empresários pelo Mercosul é a perda de importância do bloco nas exportações brasileiras. O ex-ministro do Desenvolvimento e presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo, Sérgio Amaral, ressalta que o momento atual das duas economias é de “profundo descompasso”. Enquanto o Brasil atrai investimentos e acumula reservas, a Argentina enfrenta escassez de divisas.
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