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| Senior Member ![]() Join Date: Sep 2006 Location: Porto
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| Catalisar a dor para obrigar o Estado a agir IP5 foi a gota de água que espoletou o surgimento dos movimentos cívicos de utentes das estradas, tão flagrante era a inépcia, a incompetência e a corrupção de valores das autoridades sobre os perigos traiçoeiros da primeira estrada de circulação rápida iniciada nem 1983. O aumento da velocidade era premente, numa sociedade em que o automóvel simbolizava prosperidade. Vivia-se a euforia económica resultante do encaixe dos fundos comunitários. É Rui Zink, dirigente da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M) que contextualiza o surgimento da mais mediática associação de utentes da estrada, em 1998. As preocupações por um assunto desconhecido - os acidentes de viação eram "apenas" uma fatalidade - são anteriores e remontam às páginas do extinto jornal O Independente. Ali, Zink, com Manuel João Ramos, alertava consciências para o desinvestimento no transporte público e a "criminosa" promoção do transporte privado. Às preocupações cívicas somaram-se tragédias pessoais. Pouco tempo após os primeiros artigos, Manuel João Ramos perdia a filha no IP5, quando um camião, embalado numa descida de 9º, abalroou a viatura onde seguiam. Mais tarde, Manuel João Ramos escreveu que o camionista seria o mais directo responsável pela morte de Joana, mas lembrava a responsabilidade silenciosa e cobarde dos outros: do técnico que propôs a colocação de separadores de betão no eixo da via, do ministro que não quis construir um túnel numa via rápida de montanha, dos lóbis da Guarda e Viseu, que forçaram a passagem de uma estrada junto às cidades e do silêncio colectivo amorfo que reagia com encolher os ombros às desgraças dos outros. "As tragédias são sempre um catalisador", afirma Zink. As estradas portuguesas eram, por essa altura, cadafalso para cem mil pessoas. Mais de duas mil morriam logo no alcatrão. Os acidentes aconteciam e voltavam a acontecer nos mesmo locais. Perante o silêncio de quem devia agir e não agia, foram os cidadãos que se organizaram. "As cumplicidades com a incúria eram muitas e vindas de organizações que visavam a prevenção rodoviária". A proximidade com os centros de poder e a aceitação do tema da sinistralidade rodoviária nos media foram decisivos para passar a mensagem: havia uma guerra civil nas estradas portuguesas. "Era uma área apolítica e invisível." A guerra, lançada por uma associação, entrou no léxico político e assumiu prioridade nas agendas. E hoje? "Há uma paz mórbida" sublinha Zink, reconhecendo as pequenas melhorias visíveis na estrutura rodoviária e uma lenta alteração de comportamentos. "É irónico que aconteça quando o Estado faz o menor investimento nas estradas. Devia-nos obrigar a pensar no modelo que seguimos." As vítimas de acidentes passaram para metade e Zink percebe que os governantes se possam regozijar disso. "A sinistralidade é vista como ambiente há 20 anos. O secretário de Estado era uma figura floral. Agora já não é assim. Como gritos para o Terreiro do Paço, as associações locais nascidas à sombra do IP5, do IP4 e do IP3 - as principais vias estruturantes das comunicações dos anos 90 - obrigaram os políticos a agir. Mas é lenta a mudança lenta e assente em quilómetros de dor e desespero. | |||||||||||
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| Quantas autoestradas existem no interior do pais e quantas estao projectadas? | |||||||||||
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| Senior Member ![]() Join Date: Sep 2006
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| Senior Member ![]() Join Date: Sep 2006 Location: Porto
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| Só três entao, a A6, a A23 e a A25 | |||||||||||
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